Um país de todos.
Estamos começando mais um ano de muitas promessas. Será, entre tantas expectativas, um ano especialmente diferente para o Brasil. Não só 2010. Não só o Brasil. Mas a partir de 2010, um novo mundo de oportunidades e desafios será construído neste país. Enfatizarei, mais especificamente, a situação brasileira, sem considerar outras potências emergentes (BRIC).
A riqueza construída nesses últimos 15 anos não é nenhum milagre econômico, uma vez visto nos anos 70 com a ditadura, num movimento desenvolvimentista que por fim só fez aumentar a dívida externa brasileira e que em nada, de uma forma geral, ajudou no fortalecimento do mercado interno nacional. Hoje, pelo contrário, se vê uma postura muita fortalecida desse mercado interno que, caracterizado pelo impulso de consumo incontrolável e do crédito fácil, é uma das principais chaves de sustentação deste país para os próximos anos. O boom das commodities fez reerguer a imagem do Brasil no mundo, trazendo outras tantas oportunidades de negócios para nós. A demanda mundial nunca se comportou de uma forma tão intensiva como agora, mesmo depois de ter passado por uma crise financeira como a de 2008.
Essa força brasileira ascendente nesse começo do ano, querendo ou não, foi “concretizada” pela postura populista de um presidente que nasceu e cresceu entre os quais, hoje em dia, ajudam no sustento do país. Ou seja, se não fosse a grande entrada de pessoas que viviam entre a pobreza e a miséria nesse país, muito do que se vê hoje talvez nunca fosse chegar a tais estatísticas. O Brasil amadureceu, cresceu em pró de uma descentralização de renda, contestada ou não, por uma figura do povo que hoje já é considerado uma das mais influentes da cena política mundial.
A intenção desse texto não é enfatizar a figura petista de nosso presidente. Muito menos por a imagem do Lula como um salvador da pátria sem ao menos considerar o pé inicial dado, já na segunda metade dos anos 90, pelo então presidente FHC. O que eu quero dizer é que a postura do presidente, hoje, fez muito por tantos que realmente precisavam e hoje, por conta dessa atitude, podemos ver um povo que come mais, trabalha mais e vive mais. Em outras palavras, um mercado consumidor mais aquecido e fortificado por uma demanda antes reprimida por questões de desigualdade.
Uma coisa que eu não consigo entender é que, em discussões sobre questões políticas, eu vejo muita gente que crítica essa forma de atuar do presidente uma vez que essas mesmas pessoas se preocupam com questões de meio ambiente, de repúdio à violência em grandes cidades e sobre a miséria e destruição de países no Oriente Médio, por exemplo. O que por um lado é preocupação com o próximo, mesmo que o indivíduo viva longe, de outro lado, há certa “indignação” por parte da classe branca de olhos azuis que parece que não aceita certas políticas assistencialistas do governo atual. Parece que é melhor que se invista em algo mais vistoso aos olhos de quem interessa do que investir na erradicação da pobreza do seu próprio povo.
Eu não condeno as políticas do governo. Não aceito também muita coisa que já aconteceu nesses dois mandatos. Coisas que, por sinal, não foram vistas só porque a estrela solitária esteve no poder, mas que já vinham de outros tempos, de outros governos, de outros séculos e porque não, continentes. Mas com certeza nenhum outro se compara a popularidade que foi construída e ao apoio que um líder político deu ao povo que governava. Enfim, se é/foi ruim com ele, pior sem ele.
Já que Lula seguiu as políticas de FHC nada a temer do próximo Governo que continuara o que ele iniciou ou rebatizou. Só não podemos acreditar em toda essa massa de propaganda feita com enormes somas e nem podemos deixar de enxergar que Lula para se manter nas paginas dos inaugura, lança pedra fundamental, reinagura obras já existentes. A mudança de poder é salutar a democracia. O continuismo favorece as ditaduras e acredito que as pessoas de bom senso não vão querer uma ditadura petista. E para lá que os petistas caminham….
Quando é dito que Lula seguiu as diretrizes de FHC, refere-se a sequência da política econômica pela equipe do atual governo. A grosso modo, são dois governantes diferentes, de partidos também diferentes. Mas que a jogada de ter seguido ou consolidado as políticas iniciadas por Fernando Henrique foi sim, importantíssima para o país.
Não é de se espantar se o próximo governo que vier esse ano, principalmente sendo demo/pemedebista/tucano, trocar as direções das políticas enconômicas justamente por ser de diferentes partidos. A política pública brasileira é capaz de tudo.
As somas estrondosas que giram o orçamento do governo é resultado de uma política de investimento público, tão sufocado por tanto tempo, capaz de embargar diante de uma burocracia tão inadequada como a que temos. Por mais que mais da metada do PAC não tenha nem saído do papel, creio que só movimentando diversas classes e setores do país para gerar crescimento é que pode fazer acontecer alguma coisa. E não adianta dizer (não estou sendo direto à voce) do super faturamento, desvios ou atrasos de obras. Isso já vem de uma receita que, no mínimo, pode ser vista já na década de 50, com o tão idolatrado JK. (Teve até minissérie).
A renovação da administração pública é essencial, concordo plenamente. Só não acho certo, a príncipio, mexer em time que tá ganhando. Ou em estratégia que está dando certo. Temos uma década de ouro pela frente e jogar tudo às mãos de estrageiros e falsos moralistas não pode ser tão bom quanto parece.