Contas públicas do desgosto.
Mais um caso na contabilidade das falcatruas e da desordem das políticas públicas deste país. Essa, ao menos, não entraria no Balanço de Pagamentos do Governo, uma vez que o déficit seria irreversível. Por mais que já presenciamos casos tão absurdos e crédulos como esse último, nunca um escândalo político foi tão abrangido e com tantas provas incontestáveis como o caso do (ainda) Governador do DF, Jose Roberto Arruda.
Até quinta-feira, eram 9 pedidos de impeachment protocolados ou a caminho de ser enviados à Câmara Distrital e tudo indica que algum deles iria prosseguir seu curso. Entre os tantos levantados, o último foi da OAB-DF que também sugere a cassação do vice-governador Paulo Octavio.
No cenário político, viu-se algo corrente a caráter de um verdadeiro político brasileiro. Até então aliados e/ou partidários de um mesmo ideal, PSDB e PPS pularam fora na mesma hora em que a bolha da corrupção estourou para o lado dos democratas. Para piorar ainda mais a figura do DEM, por volta de um mês atrás, Arruda era posto como vice numa possível chapa com o seu colega paulista, José Serra. A felicidade era explicita nos corredores do Parlamento quando se percebia a esperança incontida no retorno ao poder federal, na garupa tucana, em 2010. O antigo partido PFL, se vê agora em uma situação no mínimo constrangedora.
Quando lemos algumas matérias políticas na maioria da mídia nacional, é praticamente visível a ligação de escândalos públicos a alguma brecha do governo atual. Independentemente do partido em questão, a desgraça desses casos de corrupção sempre estão relacionados a figura popular do nosso presidente. O que dirá o deputado baiano ACM neto, corregedor da câmara, ao ver um membro do próprio partido envolvido em um escândalo inexplicável. A mesma raiva e indignação demonstrada no “mensalão federal” (Marcos Valério e Cia), não foi vista nessa ocasião, que por fim, gerou apenas a celebre frase, não escondendo o favorecimento para Arruda: “isso aqui não é Santa Inquisição”.
E o melhor estar por vir. Não bastasse os milhares de vídeos e imagens que surgiram nesses últimos dias, o governador Arruda não se compromete com a acusação e ainda contorna, o dinheiro seria usado para a distribuição popular. O ensaio sobre a explicação do flagra foi impecável tornando-se irônica. O governador havia dito que os 50 mil eram contribuição à compra de panetones a serem distribuídos no Natal. A delicia natalina virou, inclusive, símbolo dos protestos que se espalham por Brasília. Apesar do ensaio das desculpas, uma reportagem da Folha de S. Paulo, de quinta feira dia 3, foi totalmente desmascarado. O jornal noticiou que o governador do DF havia realizado às pressas uma licitação para adquirir panetones.
Não vem ao caso descrever todo o enredo da situação, o caso é tão grave quanto o que já foi descrito. O esquema de propina, da relação de empresas privadas com o favorecimento de uma ou outra figura partidária em troca de alguma sobreposição desejada é imparcial e é de uma forma tão grosseira, como se não estivesse se importando com todas as pessoas envolvidas. É uma situação delicadíssima. Vivemos em um ano que precede outro eleitoral e que parece nada mudar a postura de nossos parlamentares. Sendo ano eleitoral, feriado santo e qualquer outra ocasião importante, nossos políticos seguirão com a mesma picaretagem, sem medir esforços, sem nenhuma contraposição (acabando sempre em pizza) e nosso povo brasileiro pagando a conta de forma calada e conformada.
Ótimo texto, Pacheco.
Eis um dos maiores problemas brasileiros: contas públicas! E olha que tu nem falaste a respeito dos jatinhos particulares dos nossos excelentíssimos parlamentares…
Qual é a origem desta exacerbada falcatrua nas contas do governo?
-Colonização portuguesa?
-População não educada?
-”A ocasião que faz o ladrão”?
-A natureza do cargo político (que faz dele igual em todos os países)?
-A combinação de todos estes fatores?
Apesar de tudo, tenho a impressão de que as coisas estão melhorando, no sentido de que tudo está vindo à tona. A mídia tem sido bastante competente nesta questão. Ou será que fui eu que apenas passei a acompanhar mais de perto estes assuntos?
São tantas perguntas para as quais não temos respostas… Verdade seja dita, devemos mesmo é começar a buscar soluções. E então, o quê faremos a respeito disto enquanto cidadãos comuns? Qual é a solução para o problema?