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Brasil é a potência do século XXI a se observar

O artigo abaixo foi escrito por Michael Skapinker, colunista do jornal Financial Times, publicado em 19 de outubro de 2009 e traduzido por Mateus Rigo Noriller. Sua versão original pode ser encontrada aqui.

Brasil é a potência do século XXI a se observar

Quando participei de uma cúpula de jornalistas de publicações internacionais recentemente, o moderador nos pediu para nomear a nossa grande história para o próximo ano.

Um dos integrantes da equipe sugeriu as eleições parlamentares do Reino Unido. Em segundo plano, foram mencionadas as ramificações continuadas da crise financeira. Eu disse Brasil, país que eu estava prestes a visitar pela primeira vez.

Considere: o Brasil saiu da crise financeira em boas condições e agora está sentado em cima de uma vasta reserva de petróleo. Este ano, vivenciou o maior anúncio do mundo no mercado de ações – os U$8 bilhões da venda de parte do braço do banco Santander no Brasil. Também será o anfitrião dos dois maiores eventos esportivos do globo terrestre: a copa mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 – o Rio de Janeiro venceu este mês em cima de Tóquio, Madri e Chicago.

Porém, enquanto eu me acomodava no meu vôo para o Rio, eu não pude suprimir um pouco do receio e trepidação com relação à famosa desvantagem daquele país. “Violência e crime podem ocorrer em qualquer lugar e geralmente envolvem as mais variadas armas de fogo,” disse a Secretaria Internacional de Conselhos para Viagens Britânica a respeito do Brasil. “Casos de seqüestros de carros acontecem, e por vezes os ocupantes são forçados a retirar dinheiro de suas contas em caixas eletrônicos.”

No que diz respeito ao transporte público: “Houve momentos em que gangues atearam fogo a ônibus, deixando os passageiros dentro do veículo depois de assaltá-los,” disse a Secretaria Internacional.

Os conselhos oficiais (por parte do Brasil) são geralmente assustadores. Se o pior acontecer, o governo não quer que você diga que eles não lhe avisaram.

Mas o velho Brasil, no entendimento de Peter Robb, não é mais confortante. O Brasil é “um país de imensa riqueza natural, em paz com seus vizinhos e não enfrenta grandes turbulências ou conflitos dentro de suas fronteiras. No entanto as taxas de homicídio, dezenas de milhares de mortes violentas por ano, cai dentro dos parâmetros da definição das Nações Unidas de uma guerra civil de baixa intensidade,” escreveu ele em seu convincente livro Uma morte no Brasil.

Eu não vi nada disto. Mas após dois dias da minha partida, batalhas armadas entre gangues de traficantes rivais no Rio tomaram pelo menos 14 vidas, incluindo três policiais que foram mortos quando o helicóptero em que estavam foi abatido.

As pessoas que vivem em países de alta criminalidade com freqüência dizem três coisas. Primeiro, que nunca lhes aconteceu nada em suas cidades natais supostamente violentas, mas que foram assaltados em Londres, por exemplo. Segundo, que tudo o que você precisa fazer é tomar as mesmas precauções sensatas que você tomaria em casa. Terceiro, que a violência está confinada a certas áreas da cidade e consiste principalmente de criminosos matando uns aos outros.

A primeira defesa é um tanto boba. É claro que pessoas são assaltadas em Londres. Isto é apenas menos comum. A segunda não faz muito sentido: em casa, você sabe quais bairros são perigosos e quem são os possíveis encrenqueiros. Em um lugar desconhecido você não sabe, e os “trombadinhas” percebem a sua hesitação.

A terceira é verdadeira em alguns lugares, mas não no Brasil, onde a violência freqüentemente se espalha para fora das favelas e até mesmo onde os ricaços temem pela segurança.

É para o bem do próprio Brasil que durante vários dias de reuniões e entrevistas no Rio e em São Paulo nenhuma pessoa negou que os crimes violentos do país são reais e podem ter um impacto muito sério em seu desenvolvimento, sem falar na vitrine dos dois eventos esportivos.

Não é apenas crime. As ferrovias, as rodovias e aeroportos brasileiros carecem de investimentos estratosféricos. O enorme contraste entre os ricos e os pobres é imediatamente evidente.

Entretanto, o Brasil é um país com potencial marcante, com um povo hospitaleiro e ricamente diverso, com comida excelente e com muitas empresas de classe internacional. Ao contrário da China, o Brasil não possui conflitos étnicos e é uma democracia multipartidária. Brasileiros reclamam da corrupção de seus políticos, mas apontam que, ao contrário dos EUA, os resultados das eleições presidenciais são anunciados rapidamente – e a próxima acontece em Outubro de 2010.

Extrair o petróleo recentemente encontrado, enterrado sob milhares de metros de água, rocha e sal, será um grande desafio. Mas as reservas apresentam o intrigante prospecto de o Brasil se tornar um exportador de petróleo peso-pesado enquanto que a maior parte de sua própria eletricidade deriva de energia hídrica e muitos de seus carros são abastecidos com o etanol feito a partir da cana de açúcar.

Os Brasileiros sabem que o petróleo pode ser tanto uma maldição quanto uma bênção. Como ele utilizará a nova riqueza irá determinar se ele vai ser tornar uma potência do século XXI ou não.  O Brasil é um país incrível para se visitar. Em seu livro, Robb escreveu: “o Rio é enorme e adorável e aterrorizante. São Paulo é maior ainda, mais assustadora e nada adorável.”

Ele está certo a respeito da beleza do Rio – a maratona Olímpica será linda de se ver. São Paulo, já que não é bela, tem mais avenidas assombreadas por jacarandás que você imagina.

O Brasil será uma grande história – não apenas para o próximo ano, mas por muitos outros que estão por vir.

CategoriasReflexões
  1. j a noriller
    outubro 30, 2009 às 5:10 pm | #1

    … primeiramente, parabéns pela competencia desenvolvida/adquirida na nessa tradução… quem sabe faz a hora (já dizia Geraldo Vandré)…

    … segundo… o Brasil pode ser comparado a mais linda das top models…. cada admirador escolhe a beleza que lhe convém…. contudo… não agradará a todos e possivelmente manifestará suas tpms e maus humores… mas é importante ouvir a opinião de gente “sangue azul”… influenciadores e formadores de opinião global….

  2. Rudrigo
    novembro 2, 2009 às 11:31 pm | #2

    Realmente, a figura brasileira internacional está despontando como nunca e promete ser uma potência pra mais de 10 anos à frente. A tal da riqueza conhecida, do poder de desenvolvimento que o país tem, da força de seu povo, aquela coisa toda…não é novidade e desde de Vargas já se percebia isso. Mas infelizmente, passa anos e mais anos, a desordem parlamentar junto com as desavenças políticas sempre nos atolaram e fizeram dessas infinitas qualidades, algo sem muito força, capaz de nem fazer cócegas na corja que nos mantém.

    Copa do Mundo, Olimpíadas. Seus milhões e bilhões em investimento. Licitação aqui. Orçamento ali. Superfaturamento acolá. Mais uma vez o Brasil será coloca a prova sobre o que é capaz de fazer. Não duvido do poder de construção, até porque um povo que construiu Brasilia em 5 anos, poderá muito fazer milagre pra gringo ver (em menos de 6 anos – somando os dois eventos). Mas duvido sobre a capacidade de arcar com investimentos à longo prazo. Sempre tão preocupante…

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