Não viver de extremos.
Para que seja medido o poder de poupar de uns sobre a prodigalidade de outros, é preciso que se encontre uma maneira cabível de tornar as coisas mais esclarecidas para ambos os lados. Grosso modo, quando se culpa administração privada pelo gasto e a ‘auto-regulamentação’ concebida a eles em tempos de bonança, devemos entender que se há espaço para tanto é porque de alguma forma o outro lado cedeu liberdade para tal. Ou seja, a partir do momento em que se encontra um patamar baixo de regulamentação estatal em que favoreça a proliferação dos investimentos privados, percebe-se que a intervenção do Estado chega a quase ser uma prática liberal. Sem uma taxa de juros que regule e impostos que movimente o caixa estatal, o mercado seguirá aos seus modos e salvem-se quem puder.
O lado intervencionista da economia é muito caracterizado pela mão do Estado no sistema econômico. Quando muito criticado pelos neoclássicos, esse intervém torna-se necessário por conta da supremacia sobre o mercado. Deixa-nos produzir/consumir e cuide você do lado que lhe convém. A proteção de entidades e instituições de grandes portes, por parte do Estado, com certeza nunca foi bem vista pelos liberais até o ponto em que a tão desejada desregulamentação torna-se a vilã da história fazendo que o Governo entre em ação. Pode parecer limitado esse pensamento, porém a caracterização da supremacia estatal, quando bem gerida, é essencial para manter uma boa índole mercadológica, se é que podemos ver isto nos dias de hoje. Acreditar que o mercado é eficiente ou que o Estado tudo pode, é ignorância. Não podemos viver de extremos.
O problema da má administração pública tem mais haver com os “maus administradores” do que com as funções do Estado. E além do mais, como demonstrado pela última crise, sempre quando a coisa aperta, sobra pro Estado segurar a batata quente. É a famosa máxima da “socialização dos prejuízos”. Como se a postura liberal fosse recusar alguma forma de proteção estatal do tipo: financiamento barateado; diminuição da carga tributária; favorecimento no comércio externo. Seria muito absurdo alguma empresa agarrar esses benefícios em troca da consolidação no mercado concorrente? Claro que essa postura faria dela uma estatal e que se fosse feito para uma, teria de ser feita à todas.
A melhor forma de se promover uma organização social e econômica é a partir da interação livre entre os milhões de agentes econômicos individuais e não simplesmente condicionando os destinos de milhões desses agentes ao ponto de vista e a perspectiva de um número reduzido e ínfimo de burocratas.
Por fim, a principal indução do Estado sobre a sociedade seria por parte da educação e saúde. Por mais que a qualidade do sistema de saúde nacional seja promíscua e muito há desejar, é bem mais aberta às classes baixas que hospitais privados. E o estudo, nem se compara. O que por lei é de direito do cidadão, hoje vemos o estudo de qualidade como um privilégio, onde que grupos de poderosos da iniciativa privada já têm seu capital em bolsa de valores. O que faz do direito de estudar, agora, uma mercadoria. Seja o estudo bom ou não. Aí vem a questão: os mais adeptos ou mais ricos/fortes sobrevivem?
PACHECO,R.O
Concordo plenamente.
Deve haver equílibrio entre a regulação praticada pelo Estado e a liberdade da qual a iniciativa privada usufrui.
Porém, em termos práticos, o que tu sugeres?
O Estado já se mostrou incompetente. O mercado, sob o ponto de vista liberal, é cruel e imprevisível.
Ambos falham nos aspectos que lhes competem. E agora, José?
Se vira nos 30.
Então, foi o que eu disse no texto. Nem mais nem menos. Sem extremos. Na medida certa.
Penso que a principal função do Estado numa economia aberta seria a intervenção em políticas sociais, desde na área da educação até a saúde, infra estrutura e tecnologia. O investimento não deveria ser necessariamente direto, em nome do governo, com o logo do governo em tudo quanto é canto, mas sim por incentivos (menos impostos sobre insumos para as ME ou maiores salários aos professores públicos).
E a máxima da regulamentação seria por questões fiscais na parte do comércio externo afim de fortalecer e tornar competitiva a indústria/empresa nacional.
O melhor disso tudo é saber que temos um SF fortalecido, consolidado e sólido para questões macros. Temos uns dos melhores sistemas financeiros e é isso que não podemos perder. Caso contrário, a teoria liberal dos marginalistas e a intervencionista dos sociais, seriam um desastre/inúteis.
Quero do meu país nem um EUA da vida, muito menos uma China, mas sim, o próprio Brasil. Mais nêutro impossível!
Coisa que estamos começando a perder, já dizia Celso Amorim. Só falta arranjar briga com Honduras agora…
Pau neles!
Não consigo imaginar, em termos práticos, um governo tão sensato. Pensa em “monopólio”. É de senso comum que monopólio deve ser combatido, pois não é benéfico nem para os consumidores e nem para a economia como um todo. Como combatê-lo sem um Estado que intervenha de maneira a sujeitar a economia aos próprios interesses?
“Quero do meu país nem um EUA da vida, muito menos uma China, mas sim, o próprio Brasil. Mais nêutro impossível!”
Neutralidade é uma questão interessante. A oposição acusa falta de objetividade, que “estamos jogando em cima do muro”, e que isto prejudica a nossa credibilidade internacional. Concordo, até certo ponto… E tu?
Realmente eu não saberia te dizer, mas fica um questão interessante…terei aula sobre monopólio nas proximas semanas e dai vejo o que eu consigo. Se cada um fizesse o seu, já estaria perfeito. Seria perfeito também delimitar esses deveres haha
A oposição (brasileira, tu diz?) é um caso aparte. Não devemos levar tão a sério o que se diz sobre o Governo, depois de dois mandatos e na véspera de ano eleitoral.
Até certo ponto também…algo do que é feito no Taiti ta de bom tamanho (ou era feito). Uma ajuda humanitária e alguma coisa de ‘controle social’, diminuir a violência. No mais, acho que não deveríamos nos meter tanto em questões de outros países. (Vou ser sincero, não estou muito por dentro do que esta acontecendo em Honduras) Esse caso promete um baita texto, não? Oque me diz?
Também estou por fora do que está acontecendo… Sabes como é: o tempo é escasso e temos que fazer escolhas. No momento os estudos e o trabalho me tomam todo o tempo. De qualquer forma, vou tentar me inteirar do caso!