Peroba nele

janeiro 8, 2010 1 comentário

O chororô de Arruda. Falta óleo de peroba na cara-de-pau desse senhor.

A solenidade na posse de novos diretores da rede pública de ensino em Taguatinga, cidade próxima ao centro da capital, foi uma brecha de desespero público em que o então Governador José Roberto Arruda se debulhou em desculpas pelo ocorrido na campanha eleitoral de 2006. Suas intesões eram de reerguer alguma (se é que ainda o mantêm) dignidade sobre as acusações feitas contra o próprio. Imaginem, é como se Hitler fizesse o mesmo no muro das lamentações, em Israel.

Frente a frente com servidores públicos em Taguatinga, ele demonstrou arrependimento e se fez capaz, imaginem, de perdoar todos aqueles que se mostraram contra suas atitudes, tornando sua figura obsoleta frente à opinião pública e que só assim teria a capacidade humana de ser perdoado.

É incrível como a máquina do poder funciona nesse Brasil. Como se já não bastasse escandâlos e CPI’s de tudo quanto é motivo, gerando gastos e encomodações desnecessárias, quando temos um caso definitivamente ‘resolvido’ por questões de provas tão absurdas quanto verdadeiras, o réu culpado se diz capaz de perdoar quem o ‘agrediu’ se fazendo digno o suficiente para também receber o perdão. Mas meu Deus, ele falou isso em cima de um palanque, na frente de vários supostos eleitores e ainda sim, com a mais cara-de-pau possível, se faz de santinho ou atacado e promete mudança/trabalho, essas coisas que nunca acontençe.

O panetone venceu, meu amigo. Acabou a brincadeira de papai no noel dos carentes da capital federal. Arruda e sua corja democráta estão com os dias contados, meias apuradas e cuecas mais sujas que a do gatos de botas.

Mas entenda a categoria do nosso político do século XXI e veja se é ou não de acreditar em suas palavras:

“Perdoo, a cada dia, os que me insultam. Entendo as suas indignações pelas forças das imagens. E, sabem por que eu perdoei? Porque só assim eu posso também pedir perdão dos meus pecados”

Por mais que o caso seja no centro da administração pública, não é de se espantar atitudes assim. Políticos e afins cada vez mais categóricos em suas manobras de enganação e desrespeito, fazem da figura promissora que está tornando esse país em algo sem rumo e totalmente desprovido de atenção pública e impunidade. É complicado seguir num país que se diz democrático sendo que, para começar, o voto é obrigatório e muitas regiões deste Brasil é comandada por espécies de Xerifes e/ou barões latifundiários.  Vamos começar a mudar daqui pra frente. A cultura do povo brasileiro, todos conheçem, é de se acomodar muito fácil porém é de se acreditar em uma mudança de postura.

Não temos mais paciência em aturar casos e gente com essas atitudes. Não reeleja ninguém.

Um país de todos.

janeiro 5, 2010 2 comentários

Estamos começando mais um ano de muitas promessas. Será, entre tantas expectativas, um ano especialmente diferente para o Brasil. Não só 2010. Não só o Brasil. Mas a partir de 2010, um novo mundo de oportunidades e desafios será construído neste país. Enfatizarei, mais especificamente, a situação brasileira, sem considerar outras potências emergentes (BRIC).

            A riqueza construída nesses últimos 15 anos não é nenhum milagre econômico, uma vez visto nos anos 70 com a ditadura, num movimento desenvolvimentista que por fim só fez aumentar a dívida externa brasileira e que em nada, de uma forma geral, ajudou no fortalecimento do mercado interno nacional. Hoje, pelo contrário, se vê uma postura muita fortalecida desse mercado interno que, caracterizado pelo impulso de consumo incontrolável e do crédito fácil, é uma das principais chaves de sustentação deste país para os próximos anos. O boom das commodities fez reerguer a imagem do Brasil no mundo, trazendo outras tantas oportunidades de negócios para nós. A demanda mundial nunca se comportou de uma forma tão intensiva como agora, mesmo depois de ter passado por uma crise financeira como a de 2008.

            Essa força brasileira ascendente nesse começo do ano, querendo ou não, foi “concretizada” pela postura populista de um presidente que nasceu e cresceu entre os quais, hoje em dia, ajudam no sustento do país. Ou seja, se não fosse a grande entrada de pessoas que viviam entre a pobreza e a miséria nesse país, muito do que se vê hoje talvez nunca fosse chegar a tais estatísticas. O Brasil amadureceu, cresceu em pró de uma descentralização de renda, contestada ou não, por uma figura do povo que hoje já é considerado uma das mais influentes da cena política mundial.

            A intenção desse texto não é enfatizar a figura petista de nosso presidente. Muito menos por a imagem do Lula como um salvador da pátria sem ao menos considerar o pé inicial dado, já na segunda metade dos anos 90, pelo então presidente FHC. O que eu quero dizer é que a postura do presidente, hoje, fez muito por tantos que realmente precisavam e hoje, por conta dessa atitude, podemos ver um povo que come mais, trabalha mais e vive mais. Em outras palavras, um mercado consumidor mais aquecido e fortificado por uma demanda antes reprimida por questões de desigualdade.

            Uma coisa que eu não consigo entender é que, em discussões sobre questões políticas, eu vejo muita gente que crítica essa forma de atuar do presidente uma vez que essas mesmas pessoas se preocupam com questões de meio ambiente, de repúdio à violência em grandes cidades e sobre a miséria e destruição de países no Oriente Médio, por exemplo. O que por um lado é preocupação com o próximo, mesmo que o indivíduo viva longe, de outro lado, há certa “indignação” por parte da classe branca de olhos azuis que parece que não aceita certas políticas assistencialistas do governo atual. Parece que é melhor que se invista em algo mais vistoso aos olhos de quem interessa do que investir na erradicação da pobreza do seu próprio povo.

            Eu não condeno as políticas do governo. Não aceito também muita coisa que já aconteceu nesses dois mandatos. Coisas que, por sinal, não foram vistas só porque a estrela solitária esteve no poder, mas que já vinham de outros tempos, de outros governos, de outros séculos e porque não, continentes. Mas com certeza nenhum outro se compara a popularidade que foi construída e ao apoio que um líder político deu ao povo que governava. Enfim, se é/foi ruim com ele, pior sem ele.

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Quanta merda.

dezembro 11, 2009 Deixe um comentário

 

Obama recebeu o prêmio Nobel da Paz 2009 e em seu discurso repetiu 40 vezes a palavra guerra. Afirmou ainda que nenhum movimento pacifista teria detido Hitler.

No mesmo dia, Lula, ao anunciar investimentos de 1 bilhão de reais para saneamento no Maranhão, disse que quer tirar o povo da merda.

- Qual dos dois foi mais imoral em suas palavras?

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Esse foi um comentário que chamou atenção quando discutido as declarações do Presidente Lula essa semana.

Lula explicou que quando decidiu pelo lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de residências para famílias com renda de até três salários míninos, teve por objetivo acabar com as palafitas no País.

A ida de Lula ao Maranhão fez, mais uma vez, a realidade vir à tona de uma forma praticamente definitiva. E só não ver quem não quiser. Agora, passados turbulências de crise econômica e o escambal, volta-se, mais forte do que nunca, projetos de investimentos públicos uma vez que estes já estariam planejados faz um certo tempo. E foi justamente sobre investimento, criação de empregos e melhoria de vida que Lula foi “visitar” o nordeste.

A origem humilde do presidente é inegável. Suas origens são encontradas naquela região que, desde sua época, já sofria com o desgate natural e da “inexistência” de atenção. Nada melhor que falar com pessoas de seu ex-convívio de uma forma mais clara e relatora. Claro que se tratando de um presidente, “merda” nem sempre é a melhor escolha de se expressar. Mas, sem considerar o palavrão, o investimento de uma vez por todas é necessário, não só no Maranhão, mas como em todo o Nordeste. Visto isso, qual das dois casos ocorrido no estado nordestino que chamou mais a atenção da imprensa em geral?

Essa postura resume-se apenas em uma sigla: PIG.

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Sem mais.

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Contas públicas do desgosto.

dezembro 6, 2009 1 comentário

Mais um caso na contabilidade das falcatruas e da desordem das políticas públicas deste país. Essa, ao menos, não entraria no Balanço de Pagamentos do Governo, uma vez que o déficit seria irreversível. Por mais que já presenciamos casos tão absurdos e crédulos como esse último, nunca um escândalo político foi tão abrangido e com tantas provas incontestáveis como o caso do (ainda) Governador do DF, Jose Roberto Arruda.

            Até quinta-feira, eram 9 pedidos de impeachment protocolados ou a caminho de ser enviados à Câmara Distrital e tudo indica que algum deles iria prosseguir seu curso. Entre os tantos levantados, o último foi da OAB-DF que também sugere a cassação do vice-governador Paulo Octavio.

            No cenário político, viu-se algo corrente a caráter de um verdadeiro político brasileiro. Até então aliados e/ou partidários de um mesmo ideal, PSDB e PPS pularam fora na mesma hora em que a bolha da corrupção estourou para o lado dos democratas. Para piorar ainda mais a figura do DEM, por volta de um mês atrás, Arruda era posto como vice numa possível chapa com o seu colega paulista, José Serra. A felicidade era explicita nos corredores do Parlamento quando se percebia a esperança incontida no retorno ao poder federal, na garupa tucana, em 2010. O antigo partido PFL, se vê agora em uma situação no mínimo constrangedora.

            Quando lemos algumas matérias políticas na maioria da mídia nacional, é praticamente visível a ligação de escândalos públicos a alguma brecha do governo atual. Independentemente do partido em questão, a desgraça desses casos de corrupção sempre estão relacionados a figura popular do nosso presidente. O que dirá o deputado baiano ACM neto, corregedor da câmara, ao ver um membro do próprio partido envolvido em um escândalo inexplicável. A mesma raiva e indignação demonstrada no “mensalão federal” (Marcos Valério e Cia), não foi vista nessa ocasião, que por fim, gerou apenas a celebre frase, não escondendo o favorecimento para Arruda: “isso aqui não é Santa Inquisição”.

            E o melhor estar por vir. Não bastasse os milhares de vídeos e imagens que surgiram nesses últimos dias, o governador Arruda não se compromete com a acusação e ainda contorna, o dinheiro seria usado para a distribuição popular. O ensaio sobre a explicação do flagra foi impecável tornando-se irônica. O governador havia dito que os 50 mil eram contribuição à compra de panetones a serem distribuídos no Natal. A delicia natalina virou, inclusive, símbolo dos protestos que se espalham por Brasília. Apesar do ensaio das desculpas, uma reportagem da Folha de S. Paulo, de quinta feira dia 3, foi totalmente desmascarado. O jornal noticiou que o governador do DF havia realizado às pressas uma licitação para adquirir panetones.

            Não vem ao caso descrever todo o enredo da situação, o caso é tão grave quanto o que já foi descrito. O esquema de propina, da relação de empresas privadas com o favorecimento de uma ou outra figura partidária em troca de alguma sobreposição desejada é imparcial e é de uma forma tão grosseira, como se não estivesse se importando com todas as pessoas envolvidas. É uma situação delicadíssima. Vivemos em um ano que precede outro eleitoral e que parece nada mudar a postura de nossos parlamentares. Sendo ano eleitoral, feriado santo e qualquer outra ocasião importante, nossos políticos seguirão com a mesma picaretagem, sem medir esforços, sem nenhuma contraposição (acabando sempre em pizza) e nosso povo brasileiro pagando a conta de forma calada e conformada.

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Brasil é a potência do século XXI a se observar

outubro 30, 2009 2 comentários

O artigo abaixo foi escrito por Michael Skapinker, colunista do jornal Financial Times, publicado em 19 de outubro de 2009 e traduzido por Mateus Rigo Noriller. Sua versão original pode ser encontrada aqui.

Brasil é a potência do século XXI a se observar

Quando participei de uma cúpula de jornalistas de publicações internacionais recentemente, o moderador nos pediu para nomear a nossa grande história para o próximo ano.

Um dos integrantes da equipe sugeriu as eleições parlamentares do Reino Unido. Em segundo plano, foram mencionadas as ramificações continuadas da crise financeira. Eu disse Brasil, país que eu estava prestes a visitar pela primeira vez.

Considere: o Brasil saiu da crise financeira em boas condições e agora está sentado em cima de uma vasta reserva de petróleo. Este ano, vivenciou o maior anúncio do mundo no mercado de ações – os U$8 bilhões da venda de parte do braço do banco Santander no Brasil. Também será o anfitrião dos dois maiores eventos esportivos do globo terrestre: a copa mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 – o Rio de Janeiro venceu este mês em cima de Tóquio, Madri e Chicago.

Porém, enquanto eu me acomodava no meu vôo para o Rio, eu não pude suprimir um pouco do receio e trepidação com relação à famosa desvantagem daquele país. “Violência e crime podem ocorrer em qualquer lugar e geralmente envolvem as mais variadas armas de fogo,” disse a Secretaria Internacional de Conselhos para Viagens Britânica a respeito do Brasil. “Casos de seqüestros de carros acontecem, e por vezes os ocupantes são forçados a retirar dinheiro de suas contas em caixas eletrônicos.”

No que diz respeito ao transporte público: “Houve momentos em que gangues atearam fogo a ônibus, deixando os passageiros dentro do veículo depois de assaltá-los,” disse a Secretaria Internacional.

Os conselhos oficiais (por parte do Brasil) são geralmente assustadores. Se o pior acontecer, o governo não quer que você diga que eles não lhe avisaram.

Mas o velho Brasil, no entendimento de Peter Robb, não é mais confortante. O Brasil é “um país de imensa riqueza natural, em paz com seus vizinhos e não enfrenta grandes turbulências ou conflitos dentro de suas fronteiras. No entanto as taxas de homicídio, dezenas de milhares de mortes violentas por ano, cai dentro dos parâmetros da definição das Nações Unidas de uma guerra civil de baixa intensidade,” escreveu ele em seu convincente livro Uma morte no Brasil.

Eu não vi nada disto. Mas após dois dias da minha partida, batalhas armadas entre gangues de traficantes rivais no Rio tomaram pelo menos 14 vidas, incluindo três policiais que foram mortos quando o helicóptero em que estavam foi abatido.

As pessoas que vivem em países de alta criminalidade com freqüência dizem três coisas. Primeiro, que nunca lhes aconteceu nada em suas cidades natais supostamente violentas, mas que foram assaltados em Londres, por exemplo. Segundo, que tudo o que você precisa fazer é tomar as mesmas precauções sensatas que você tomaria em casa. Terceiro, que a violência está confinada a certas áreas da cidade e consiste principalmente de criminosos matando uns aos outros.

A primeira defesa é um tanto boba. É claro que pessoas são assaltadas em Londres. Isto é apenas menos comum. A segunda não faz muito sentido: em casa, você sabe quais bairros são perigosos e quem são os possíveis encrenqueiros. Em um lugar desconhecido você não sabe, e os “trombadinhas” percebem a sua hesitação.

A terceira é verdadeira em alguns lugares, mas não no Brasil, onde a violência freqüentemente se espalha para fora das favelas e até mesmo onde os ricaços temem pela segurança.

É para o bem do próprio Brasil que durante vários dias de reuniões e entrevistas no Rio e em São Paulo nenhuma pessoa negou que os crimes violentos do país são reais e podem ter um impacto muito sério em seu desenvolvimento, sem falar na vitrine dos dois eventos esportivos.

Não é apenas crime. As ferrovias, as rodovias e aeroportos brasileiros carecem de investimentos estratosféricos. O enorme contraste entre os ricos e os pobres é imediatamente evidente.

Entretanto, o Brasil é um país com potencial marcante, com um povo hospitaleiro e ricamente diverso, com comida excelente e com muitas empresas de classe internacional. Ao contrário da China, o Brasil não possui conflitos étnicos e é uma democracia multipartidária. Brasileiros reclamam da corrupção de seus políticos, mas apontam que, ao contrário dos EUA, os resultados das eleições presidenciais são anunciados rapidamente – e a próxima acontece em Outubro de 2010.

Extrair o petróleo recentemente encontrado, enterrado sob milhares de metros de água, rocha e sal, será um grande desafio. Mas as reservas apresentam o intrigante prospecto de o Brasil se tornar um exportador de petróleo peso-pesado enquanto que a maior parte de sua própria eletricidade deriva de energia hídrica e muitos de seus carros são abastecidos com o etanol feito a partir da cana de açúcar.

Os Brasileiros sabem que o petróleo pode ser tanto uma maldição quanto uma bênção. Como ele utilizará a nova riqueza irá determinar se ele vai ser tornar uma potência do século XXI ou não.  O Brasil é um país incrível para se visitar. Em seu livro, Robb escreveu: “o Rio é enorme e adorável e aterrorizante. São Paulo é maior ainda, mais assustadora e nada adorável.”

Ele está certo a respeito da beleza do Rio – a maratona Olímpica será linda de se ver. São Paulo, já que não é bela, tem mais avenidas assombreadas por jacarandás que você imagina.

O Brasil será uma grande história – não apenas para o próximo ano, mas por muitos outros que estão por vir.

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Parem de culpar os pobres

outubro 22, 2009 5 comentários

O texto abaixo foi escrito por George Monbiot, renomado colunista do jornal britânico The Guardian, em 28 de setembro de 2009, e traduzido por Mateus Rigo Noriller. Sua versão original pode ser encontrada aqui.

Parem de culpar os pobres: são os manés de iate que estão queimando o planeta.

Crescimento populacional não é um problema – ele está entre aqueles que menos consomem. Então por que ninguém está culpando os ricaços?

Não é nenhuma coincidência que a maioria das pessoas obcecadas pelo crescimento populacional são os endinheirados homens brancos: esta é, afinal, a única questão ambiental pela qual eles não podem ser culpados.

O brilhante cientista de sistemas terrestres James Lovelock, por exemplo, declarou mês passado que “aqueles que não percebem que crescimento populacional e mudanças climáticas são dois lados da mesma moeda são muito ignorantes ou estão se escondendo da verdade. Estes dois grandes problemas ambientais são inseparáveis, e discutir um ignorando o outro é irracional.” Porém, é Lovelock que está sendo ignorante e irracional.

Um estudo publicado ontem no jornal “Meio-ambiente e Urbanização” mostra que os lugares onde a população tem crescido mais rapidamente são aqueles nos quais as taxas dióxido de carbono têm crescido mais vagarosamente, e vice-versa. Entre 1980 e 2005, por exemplo, a África subsaariana foi responsável por 18,5% do crescimento populacional mundial, mas por apenas 2,4% do aumento em gás carbônico. A América do Norte, porém, contribuiu com apenas 4% na quantidade de pessoas, mas com 14% na quantidade de emissões. Sessenta e três por cento do crescimento populacional mundial aconteceu em lugares com emissões bastante baixas.

Mas isto não é tudo. O estudo aponta que aproximadamente um sexto da população mundial é tão pobre que gera emissões insignificantes. Este é também o grupo cuja taxa de crescimento é, provavelmente, a maior de todas. Famílias na Índia que recebem menos de 3000 rupias indianas (R$114,00) por mês gastam um quinto da energia elétrica e um sétimo do combustível para transporte por pessoa do que uma família que ganha 30 mil rupias ou mais. Mendigos não gastam praticamente nada. Aqueles que ganham a vida com o processamento de lixo (uma grande parcela das classes baixas urbanas) geralmente poupam mais gases do efeito estufa do que produzem.

Muitas das emissões pelas quais países pobres são culpados deveriam, por justa causa, pertencer às nações desenvolvidas. A queima de gases por parte de companhias exportadoras de petróleo da Nigéria, por exemplo, tem produzido mais gases do efeito estufa do que todas as outras na África subsaariana emitem juntas. Até mesmo o desmatamento em países pobres é ocasionado, principalmente, por operações comerciais que fornecem madeira, carne e ração animal a consumidores ricos. Os pobres de áreas rurais causam muito menos danos.

O autor do estudo, David Satterthwaite, aponta que a velha fórmula ensinada aos alunos de desenvolvimento – de que o impacto total é igual a população vezes afluência vezes tecnologia (I = PAT) – está errada.  O impacto total deveria ser mensurado como I = CAT (consumidores vezes afluência vezes tecnologia). Muitas pessoas, no mundo, consomem tão pouco que eles sequer apareceriam nesta equação. E estas pessoas são aquelas que têm o maior número de filhos.

Enquanto que existe uma fraca correlação entre aquecimento global e crescimento populacional, há uma correlação bastante forte entre aquecimento global e riqueza. Estive dando uma olhada em alguns super iates, pois irei precisar de algum lugar para divertir Ministros do Trabalho no estilo ao qual eles estão acostumados. Em um primeiro momento, pensei em um Royal Falcon Fleet’s RFF135, mas quando descobri que ele queimava apenas 750 litros de combustível por hora eu percebi que ele não iria impressionar Lorde Maldelson. Talvez eu cause alvoroço em Brighton com o Overmarine Mangusta 105, que bebe 850 litros por hora. Mas a jangada que realmente me encantou é fabricada pela Iates Wally em Mônaco. O WallyPower 118 (que faz os grandes idiotas se sentirem poderosos) consome 3400 litros de combustível por hora quando numa velocidade de 60 nós.  Isto é praticamente um litro por segundo. Ou ainda, isto equivale a 31 litros por quilômetro.

E é claro, pra deixar todos boquiabertos eu terei de desembolsar ainda acabamentos em teca e mogno, carregar alguns jet-skis e um mini submarino, levar os meus convidados até a marina de helicóptero e avião particulares, oferecer a eles sushi de atum-rabilho e caviar Beluga, e pilotar a fera tão rapidamente que irei massacrar metade da vida marinha que habita o mar mediterrâneo. Como proprietário de um destes iates eu causarei mais danos à biosfera em 10 minutos do que muitos africanos causam durante a vida toda. Agora as coisas estão começando a ficar quentes, meu querido!

Alguém que eu conheço que convive com os ricaços me diz que na região dos banqueiros na baixada do Vale Thames há pessoas que aquecem suas piscinas à temperatura de banho quente, durante todo o ano. Eles gostam de se banhar nas noites de inverno, observando as estrelas no céu. O combustível para tal lhes custa £3000 (R$8730) por mês. Cem mil pessoas vivendo como estes banqueiros iriam quebrar os nossos sistemas de suporte à vida mais rapidamente do que 10 bilhões de pessoas vivendo como os camponeses Africanos. Mas, pelo menos, os magnatas têm boas maneiras para não se reproduzir em excesso, então os velhacos ricos que insistem na idéia da reprodução humana os deixam em paz.

Em maio o jornal Sunday Times publicou um artigo intitulado “Clube dos bilionários tentam acabar com a super população”. O artigo revelou que “alguns dos bilionários americanos mais influentes se encontraram secretamente” para decidir qual causa nobre eles iriam apoiar. “Emergiu um consenso de que eles iriam dar suporte a uma estratégia na qual o crescimento populacional seria tratado como uma potencial ameaça ambiental, social e industrial”. Os endinheirados, em outras palavras, decidiram que são os próprios pobres que estão destruindo o planeta. Busca-se uma metáfora, mas é impossível satirizar.

James Lovelock, assim como o Senhor David Attenborough e Jonathan Porritt, é um patrono da Optimum Population Trust. Esta é uma de uma dúzia de campanhas e caridades cujo único propósito é desencorajar as pessoas a se reproduzir, em nome da salvação da biosfera. No entanto, eu ainda não encontrei nenhuma campanha cujo propósito seja questionar os impactos causados pelos bem abonados.

Os obcecados poderiam argumentar que o povo que se reproduz rapidamente, hoje, pode um dia se tornar rico. Porém, à medida que os super ricos se agarram a porções cada vez maiores e os recursos começam a se tornar escassos, este é, para a maioria dos pobres, um futuro cada vez mais distante e improvável. Existem ótimas razões sociais para ajudar as pessoas a controlar a reprodução, mas fraquíssimas razões ambientais – exceto em meio às populações mais abastadas.

A Optimum Population Trust evita falar sobre o fato de que o mundo está passando por uma transição demográfica: as taxas de crescimento populacional estão decaindo em quase todos os lugares e o número de pessoas deve, de acordo com estudos da Nature, atingir o seu ápice neste século, provavelmente por volta de 10 bilhões. A maior parte deste crescimento irá acontecer em meio a aqueles que quase nada consomem.

Entretanto, ninguém prevê uma transição neste consumo. As pessoas têm menos filhos na medida em que se tornam mais ricas, mas elas não consomem menos – pelo contrário, consomem ainda mais. Como os próprios hábitos dos ricos demonstram, não há limites para a extravagância humana. Pode-se esperar que o consumo aumente com o crescimento econômico até que a biosfera chegue ao seu limite. Qualquer um que entenda isto e ainda assim considere que o crescimento populacional, e não o consumo, seja o grande problema, está, nas palavras de Lovelock, “escondendo-se da verdade”. Este é o pior tipo de paternalismo, culpar os pobres pelos excessos dos ricos.

Então, onde estão os movimentos protestando contra os endinheirados que estão destruindo nossos ecossistemas? Onde está a ação direta contra os super iates e os jet-skis particulares? Onde estão os Conflitos de Classes quando mais precisamos deles?

Está na hora de tomarmos coragem para dar nome ao problema. Não é sexo; é dinheiro. Não são os pobres; são os ricos.

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Não viver de extremos.

setembro 28, 2009 5 comentários

            Para que seja medido o poder de poupar de uns sobre a prodigalidade de outros, é preciso que se encontre uma maneira cabível de tornar as coisas mais esclarecidas para ambos os lados. Grosso modo, quando se culpa administração privada pelo gasto e a ‘auto-regulamentação’ concebida a eles em tempos de bonança, devemos entender que se há espaço para tanto é porque de alguma forma o outro lado cedeu liberdade para tal. Ou seja, a partir do momento em que se encontra um patamar baixo de regulamentação estatal em que favoreça a proliferação dos investimentos privados, percebe-se que a intervenção do Estado chega a quase ser uma prática liberal. Sem uma taxa de juros que regule e impostos que movimente o caixa estatal, o mercado seguirá aos seus modos e salvem-se quem puder.

            O lado intervencionista da economia é muito caracterizado pela mão do Estado no sistema econômico. Quando muito criticado pelos neoclássicos, esse intervém torna-se necessário por conta da supremacia sobre o mercado. Deixa-nos produzir/consumir e cuide você do lado que lhe convém. A proteção de entidades e instituições de grandes portes, por parte do Estado, com certeza nunca foi bem vista pelos liberais até o ponto em que a tão desejada desregulamentação torna-se a vilã da história fazendo que o Governo entre em ação. Pode parecer limitado esse pensamento, porém a caracterização da supremacia estatal, quando bem gerida, é essencial para manter uma boa índole mercadológica, se é que podemos ver isto nos dias de hoje. Acreditar que o mercado é eficiente ou que o Estado tudo pode, é ignorância. Não podemos viver de extremos.

            O problema da má administração pública tem mais haver com os “maus administradores” do que com as funções do Estado. E além do mais, como demonstrado pela última crise, sempre quando a coisa aperta, sobra pro Estado segurar a batata quente. É a famosa máxima da “socialização dos prejuízos”. Como se a postura liberal fosse recusar alguma forma de proteção estatal do tipo: financiamento barateado; diminuição da carga tributária; favorecimento no comércio externo. Seria muito absurdo alguma empresa agarrar esses benefícios em troca da consolidação no mercado concorrente? Claro que essa postura faria dela uma estatal e que se fosse feito para uma, teria de ser feita à todas.

            A melhor forma de se promover uma organização social e econômica é a partir da interação livre entre os milhões de agentes econômicos individuais e não simplesmente condicionando os destinos de milhões desses agentes ao ponto de vista e a perspectiva de um número reduzido e ínfimo de burocratas.

            Por fim, a principal indução do Estado sobre a sociedade seria por parte da educação e saúde. Por mais que a qualidade do sistema de saúde nacional seja promíscua e muito há desejar, é bem mais aberta às classes baixas que hospitais privados. E o estudo, nem se compara. O que por lei é de direito do cidadão, hoje vemos o estudo de qualidade como um privilégio, onde que grupos de poderosos da iniciativa privada já têm seu capital em bolsa de valores. O que faz do direito de estudar, agora, uma mercadoria. Seja o estudo bom ou não. Aí vem a questão: os mais adeptos ou mais ricos/fortes sobrevivem?  

PACHECO,R.O

A definição de “Congresso”

setembro 25, 2009 3 comentários
 
“O Congresso Nacional é um local que:
se gradear vira zoológico,
se murar vira presídio,
se colocar uma lona vira circo,
se colocar lanternas vermelhas vira puteiro,
e se der descarga não sobra ninguém.”
 
nao reeleja
 
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Dennis, o camponês constitucional

setembro 21, 2009 Deixe um comentário

No filme Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python – 1975), Rei Arthur e seu fiél caveleiro embarcam em uma jornada com sérias restrições orçamentárias em busca do Cálice Sagrado. Pelo caminho, encontram vários obstáculos. Um deles é Dennis, um camponês que, apesar da condição de lavrador pobre e mal vestido, esbanja intelectualidade.

 

Legendas: Politicomia Weblog

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